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A verdadeira oração: Qual tem sido nossa postura? |
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A verdadeira oração: Qual tem sido nossa postura?
Pb. Rogério de S. Valadão
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Pb. Rogério de Souza Valadão
é vice-líder do Coral Jovem da
Sede do setor de Osasco |
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Falar de oração é difícil, talvez porque
oração tem mais a ver com realmente fazer do que se explicar. Jesus, quando indagado a respeito de como
deveria ser a oração, ao invés de passar uma lista de conceitos, Ele orou! ( Lucas 11.1-13).
Por outro lado temos testemunhos de verdadeiros heróis no ministério de intercessão, que têm
como disciplina diária algumas horas de oração.
E em meio a tantas teses e performances de oração vemos que nós, povo de Deus, sistematizamos tanto a
oração, a ponto de o fato de não termos uma vida de oração se justifica pela
complexidade que há em orarmos.
Orações deveriam ser entendidas como um encontro espontâneo de duas pessoas que se amam muito, e sentem
o prazer da companhia de seu objeto de adoração.
É interessante quando olhamos para a Palavra de Deus, e vemos os Salmos. Eles são tidos como louvores e
são classificados como livros poéticos, mas também de oração; em parte deles o salmista
está ali realmente tendo um momento de intimidade com Deus em oração. Vendo assim entendemos que
oração, na ótica dos Salmos, que são livros poéticos, é simplesmente o rasgar de
um coração completamente apaixonado.
Temos como assunto central das nossas orações o pedir, e justificamos calorosamente com o texto sagrado que
diz “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Lucas 11.9), mas nos
esquecemos de continuar o texto e vermos que o que Jesus adverte é a buscar com insistência pelo
Espírito Santo (ver Lucas 11.13). E nesse vício vamos gerando homens e mulheres que visam em suas
orações apenas as “chaves e portas”. Nosso foco está em nossos interesses e não no
alvo central que é Cristo Jesus. Jesus, falando a respeito da oração em Mateus 6.8, diz que o nosso
Pai sabe o que precisamos mesmo antes de pedirmos, que nossa oração deve ser “Ele em nós motivo de
júbilo”. Um exemplo de como estamos perdidos no que diz respeito à oração:
Quando saímos de casa cedo ao trabalho dizemos: Senhor me abençoa no que vou fazer hoje... O correto
não seria: Senhor, me conduz no dia de hoje, de forma a fazer e estar no que o Senhor já tem
abençoado?
Exemplo disto é o salmista no Salmo 139.23,24: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração;
prova-me e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho
eterno”.
Somos iludidos também por grandes performances de oração; perceba como nossas orações
tendem em público a serem audaciosas, e em particular quase nunca oramos, e se oramos falta-nos palavras.
Em um mundo onde imagem é tudo, às vezes nos deixamos achar que é o mesmo no Reino de Deus. É
interessante Jesus tratando da oração em Mateus 6.6: Ele adverte “a entrarmos no nosso quarto”.
Jesus ali falava diretamente contra os fariseus, pois por haver horários certos para fazer as três
orações diárias, se valendo disto os fariseus iam para os pontos mais movimentados, e ali faziam as
suas orações impressionando a todos pela sua disciplina devocional, mas para quem ora em secreto (quarto) o
único propósito é a busca do próprio Deus, ou seja, nutri-Lo em nós.
Percebe que em nosso caso já não basta orar, tem que ser muito e de forma sacrificial?
Deus nos ouve não pela nossa repetição, ou por nosso teatro sacrificial; Ele nos houve porque Ele
é Deus. As condicionais jamais serão eu e minhas habilidades, mas o Seu caráter.
Aprendemos a vida toda que a oração é um sacrifício. Ora, se oração é um
sacrifício, viver em constante oração como Paulo nos adverte em Colossenses 4.2 é simplesmente
um cansaço terrível, talvez isso explique o porque de nós estarmos tão cansados nesta
árdua caminhada com Deus.
Então logo entendemos que será sacrifício demais falar com o Pai, e já nos cansamos antes.
No desafio de se explicar ou teorizar a respeito de oração, chego à conclusão que minha teoria
a respeito do orar não tem valor algum, e se o pouco que sei sobre orar se resumisse em ter prazer em estar com
alguém que digo amar, já estarei dando um passo importante na minha caminhada com o Mestre.
Conta-se uma história a respeito de uma mãe e seus filhos:
"Estava a mãe muito atarefada em seus afazeres domésticos, preparando o almoço
para seus filhos, quando um deles, o menor, “espontaneamente” saiu do meio de seus irmãos, e foi
até sua mãe e a beijou, e tendo feito isto saiu correndo de volta á brincadeira. Porém a
mãe, comovida com a atitude espontânea de seu filho, antecipou o agrado que seria para depois do almoço
(a bala), e deu a seu filho menor.
Enquanto isso, o seu irmão do meio, vendo que seu irmão menor já tinha
recebido o prêmio, mesmo antes de ter comido, e por causa de sua atitude teria sido recompensado, ele com
deliberado “interesse” na bala fez o mesmo percurso que o menor, pulou nos braços da mãe e logo em
seguida ficou do seu lado ansioso pela recompensa. Mas a mãe, vendo que sua atitude não tinha sido por
liberalidade, mas sim por interesse, não deu a ele a bala, esperando que ele entendesse que a recompensa ao seu
irmão não foi pelo ato em si, mas pela espontaneidade de seu ato. O filho do meio, chateado, voltou a
brincar com seus irmãos.
Então o mais velho, vendo que o segundo não tinha tido sucesso em sua empreitada, se
lança fazendo o mesmo que primeiro e o segundo, porém tendo a consciência de que seu irmão do
meio tinha se esquecido apenas de um detalhe. Então ele corre, faz o mesmo percurso, se lança no colo da
mãe, ela o abraça um pouco incomodada com sua atitude, ele desce do colo da mãe, e então
dá sua cartada final para receber a gratificação: estando do lado da sua mãe, põe o dedo
em riste e lhe diz: Eu reivindico os meus direitos, afinal sou seu filho. Assim a mãe agora não está
apenas chateada, ela agora se sente enojada pela atitude interesseira dos seus filhos, que não entenderam que o que
a fez gratificar o menor foi a espontaneidade, o prazer do menor de expressar amor pela mãe, sem uma segunda
intenção".
Daí, as dúvidas que tenho são:
Qual a geração de filho que somos? Com qual objetivo nos lançamos aos
braços do Pai?
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